Primeira Missionária

 

“Aos 17 anos, imaginava-me no meio da floresta, procurando pessoas que nunca tinham ouvido falar de Jesus, para que eu lhes ensinasse o Catecismo. Sempre pensei que as missionárias e os missionários, como amam muito a Deus, se dedicassem à catequese, à evangelização, para que todas as pessoas O conhecessem e amassem”.

 

Assim se expressou Irmã Dolores Baldi, a primeira Irmã a sair da Itália, vindo ao Brasil “plantar” a Congregação das Filhas de São Paulo – as Irmãs Paulinas – em terras brasileiras.

Em 1929, Dolores participou de um retiro, a convite de seu pároco, onde Pe. Tiago Alberione, fundador da nova Congregação, falou sobre a vida, a espiritualidade e a missão paulinas.

“O silêncio ajudava a refletir. A graça de Deus agia em profundidade. Rezei muito e observei a vida das Irmãs. Percebi que o ambiente, mesmo durante o trabalho, tratava-se de alguma coisa muito diferente. Fiquei entusiasmada pela vida, oração e missão das Filhas de São Paulo e falei com Pe. Tiago Alberione sobre meu desejo de ser missionária. E ele foi claro e decidido: ‘Venha, ingresse o quanto antes’”.

No dia 20 de abril de 1929, com a bênção de seu pároco e com o consentimento de seus irmãos, Dolores deixou sua família e sua pequena cidade, e iniciou em Alba uma caminhada que só terminou, no Brasil, com sua morte em 1999, na realização de seu sonho missionário, na busca de seu Ideal, como Filha de São Paulo.

No final de setembro de 1931, Dolores ouviu com imensa alegria a afirmação de sua Mestra, Irmã Brígida Peron: “Você se lembra de que me disse que queria ser missionária? Pois bem, chegou a hora. Você será a primeira missionária Filha de São Paulo”. Dolores professou os votos religiosos e recebeu do Pe. Tiago – o livro do Evangelho, um crucifixo e um terço, dizendo-lhe: “Nossa Senhora das Dores, ao pé da cruz, colaborou para a salvação da humanidade. Santifica-te, e os brasileiros se santificarão”.

A vida de Irmã Dolores foi uma linda história de fé, dedicação e coragem. Jovem, 21 anos, camponesa marcada pela simplicidade, tendo apenas uma cultura de nível médio, mas amante de Deus, inteligência prática, ardor missionário envolvente, olhar profundo e voltado para o horizonte, Irmã Dolores desembarcou no porto de Santos, SP, no dia 21 de outubro de 1931. Naquele momento assumiu o Brasil como sua pátria, e cada brasileiro e brasileira como irmãos e irmã, por quem rezava diariamente, trabalhava, e a quem muito amou, por quem deu toda a sua vida, suas forças e sua inteligência.

De 1931 a 1966, Irmã Dolores esteve à frente da vida e das atividades das Filhas de São Paulo brasileiras, impulsionando, apoiando e animando cada uma. Testemunhou:

“As Paulinas brasileiras cresceram em número, em sabedoria, em obras e em entusiasmo pela missão, animadas e sustentadas pela mesma força íntima: DEUS”…

“Hoje canto um hino de louvor a Deus porque se serviu de minha pequenez e fez maravilhas, apesar de minhas limitações e faltas, e renovo o propósito de São Paulo: ‘Esquecendo-me do que fica para trás, lanço-me para o que está à frente’ (Fl 3,13)”.

  

E VOCÊ, JOVEM:

O que você sente no seu coração? Já sentiu ou sente o desejo de fazer o bem às pessoas, e servir a Deus em seus irmãos e irmãs? Que tal conhecer a Congregação onde Irmã Dolores viveu feliz durante 70 anos? Que tal arriscar e partir para uma vida onde primam os valores de oração, de missão, de entrega, de fraternidade… e de tantos outros valores que preenchem nossa vida de sentido?

É Jesus quem lhe diz: “Venha, e você verá!”.

 

 

 Irmã Aparecida Matilde Alves, fsp