O chamado de Deus e o discernimento vocacional-Parte 3

Abertura para Deus

 Todos aqueles que estão em busca do seu chamado têm evidentemente a fé. Sem ela, mesmo lhes parecendo morna ou frágil, eles não se colocariam em hipótese nenhuma a pergunta sobre a sua vocação.

Dessa maneira, situamo-nos na evidência da fé: Deus existe e, de um modo ou de outro, eu o encontrei; encontrei esse Deus de Jesus Cristo, e sua graça já começou a trabalhar em mim, a ponto de fazer germinar um desejo de segui-lo, de servi-lo e amá-lo.

Neste momento como me posiciono diante Dele? Como é que o acolho? Como é que “gerencio” minha relação com ele, no contexto do meu chamado?

É aqui que dias maneiras de abrir-me a Ele se mostram importante. De fato, o inventário é bem mais abrangente, mas é certo que nossa atitude se articula em torno de um destes eixos:

  • Eu mesmo dou um sentido a minha vida, sob o olhar de Deus. Creio Nele, sei que sou chamado… E decido, sem dúvida com a melhor intenção possível, o que me convém fazer com a minha vida por Ele. Reconheçamos que inúmeros cristãos “resolveram” assim a questão de suas vocações: manter a iniciativa (com toda a honestidade, na maioria das vezes) de seis empreendimentos, de suas decisões… tudo fazendo na fé, naquilo que se considera bom para a glória de Deus e o serviço da Igreja.
  • Permito que Deus me faça perceber meu próprio chamado, que pode me surpreender. Coloco-me a sua disposição para receber – e não decidir sozinho – o que Ele espera de mim. Às vezes precisarei ter paciência, deixar que Ele me amadureça, para que seu desejo a meu respeito seja bem recebido em minha alma. Às vezes também, Ele me aparecerá muito apressado e manifestará rápido (talvez rápido demais, na minha opinião) esse chamado. A diferença em relação ao primeiro eixo é esse movimento de abandono confiante e vigilante, de modo algum passivo, que caracteriza minha disposição pessoal: Ele tem uma expectativa especial a meu respeito; cabe a Ele me revelar seu desejo, ao mesmo tempo que devo colocar-me em atitude de escuta…

É inútil acrescentar, sem comparação de valor, que esta segunda atitude é preferível para Deus, pois ela o deixa livre para me falar como a um amigo e de acordo com minhas capacidades, na situação em que me encontro.

 Deus acolhe de bom grado todos os esforços, todas as disposições que vão no sentido de o servir, de se colocar no seu seguimento, de promover a verdade do Evangelho.

 

Fonte: Vinde e Vede – O chamado de Deus e o discernimento vocacional. São Paulo, Paulinas – pág. 17,18

Autor: Philippe Madre