“Chamados para uma grande missão”

O chamado divino começa com uma inquietação, seja um incômodo social ou o desejo de fazer algo mais por Deus e pelas pessoas. Ele chega de mansinho e permanece inquietando, insistindo até ser ouvido, o momento específico do chamado não é fixo, este interage com o movimento da vida.

A voz de Jesus chega e convoca em diálogo com o ambiente, no qual a pessoa está inserida, e desinstala, provoca no ser chamado inquietação e medo de sair do lugar que está adaptada. No entanto, o convite é claro, “Vem e segue-me”, sair do conforto e ir ao encontro dos mais necessitados, seja de pão, amor ou conforto espiritual.

O anjo anunciou a Maria “Alegre-se cheia de graça, o Senhor está contigo”, um ouvido atento e um coração aberto escutou o chamado para uma grande missão, ser a mãe do Salvador. Maria respondeu: “Eis — me aqui”. Um sim ofertado com amor que transformou a história da humanidade. Maria se deixou tocar pela realidade do mundo, estava atenta e foi o seu sim ao chamado de Deus que trouxe para o mundo o AMOR. Não obstante, o caminho pode ser doloroso, Maria que gerou o salvador do mundo passou pela grande dor de vê-lo pregado numa cruz.

Cada ser humano é chamado a desempenhar uma missão, o sinal de quem se deixa tocar pelo convite de Jesus, é o amor que transborda e faz o ser chamado dar uma resposta favorável ao projeto de Deus, mas como diz a canção do Pe. Zezinho: “mas dói depois do sim e dói depois não”, todas as grandes coisas carregam suas consequências, por vezes dolorosas, assim como viveu a mãe do Filho de Deus.

Muitos profetas, homens e mulheres de todos os tempos e idades receberam o convite para viver uma grande missão e comunicar a Boa Notícia. É um caminho emblemático, requer tempo e dedicação para entendê-lo e a resposta passa pelo discernimento, pela escuta atenta da Palavra de Deus. O resultado é o amor “Ainda que eu fale as línguas dos homens e as dos anjos… se eu não tiver amor, nada sou” (1Cor 13, 1-2), um amor desprendido que lança o ser chamado ao encontro do outro e atende as necessidades humanas, sociais ou espirituais. O chamado é para cada um, mas o projeto missionário é para uma multidão carente de amor e compaixão.

Ir. Gizely Pinheiro, fsp